Donald Trump vence Hillary Clinton e é eleito presidente nos Estados Unidos

Pesquisas erram feio nas intenções de voto; resultado precisa ser confirmado em 19 de dezembro pelo Colégio Eleitoral formado pelos delegados dos estados

Contra todas as previsões, Donald Trump venceu as eleições presidenciais nos Estados Unidos realizadas nesta terça-feira (8). Até as 5h33 desta quarta-feira (9), o republicano tinha 48% dos votos contra 47% da candidata democrata Hillary Clinton, o que garante 276 delegados para Trump e 218 para Hillary. Ainda falta a apuração de cinco estados, mas Hillary não consegue mais alcançar o republicano. O resultado precisa agora ser confirmado no próximo dia 19 de dezembro, quando o colégio eleitoral formado pelos delegados deve validar a voz das urnas.

O resultado contesta as pesquisas de intenção de voto que indicavam que Hillary seria eleita, apesar da disputa acirrada. O “milagre” prometido por Trump aconteceu e a grande pergunta neste novo cenário é se ele colocará em prática as promessas polêmicas de campanha, principalmente as relacionadas a dificultar a presença de imigrantes no país. E também se empreenderá uma política externa de ruptura com o passado, como a intenção de aproximar-se do presidente russo Vladimir Putin ou de voltar atrás no acordo de cooperação entre Estados Unidos e Cuba firmado pelo presidente Barack Obama.

“Como Trump se contradiz muito, é difícil saber o que ele realmente pensa sobre qualquer assunto e como será o seu governo”, afirmou Michael Touchton, professor de Ciência Política, da Universidade de Miami. “Um personagem como ele na presidência dos Estados Unidos é algo totalmente novo para nós”.

Muitos republicanos afirmam, no entanto, que Trump não cumprirá suas propostas extremistas. “A maior parte dos republicanos está decepcionada por ser esse o nosso representante e por todas as coisas que ele disse. Mas ele não vai construir um muro com o México e nem fazer nada extremista. Trump falou muitas coisas que o povo quer ouvir, mas que ninguém tem coragem de admitir. Mas só isso. O governo dele será mais centrista do que se imagina”, acredita Al Taubenberger, republicano e presidente da câmara dos vereadores de Philadelphia.

As peças-chaves da vitória de Trump foram principalmente os estados de Flórida, Carolina do Norte e Ohio, onde as pesquisas mostravam muitos indecisos e uma leve vantagem para Hillary. A votação em Flórida surpreendeu pelo fato de o estado ter a maior proporção de eleitores latino-americanos, 2,6 milhões de pessoas, 18% da do total da região, e se esperava que eles votassem de forma significativa a favor de Hillary, o que não aconteceu. A principal causa para essa escolha pelos latinos é o seu descontentamento com a política econômica adotada pelos democratas nos últimos anos que, segundo eles, é responsável pelo crescimento do desemprego no país. “Além disso, a maior parte dos eleitores cubanos, por exemplo, o maior grupo entre os latinos, não gosta da aproximação dos Estados Unidos com Cuba, porque vê nisso uma ajuda ao governo castrista sem conseguir uma contrapartida para o povo”, explica Jorge Duany, professor da Universidade de Flórida.

O dia de votação foi tenso, com discussões nas ruas e intervenções policiais em vários estados, reflexo de uma campanha altamente competitiva e polarizada. Um tiroteio próximo a um local de votação foi registrado em Azusa, no estado da Califórnia, chegando a paralisar o pleito eleitoral, mas ainda não está confirmado se a ocorrência teve motivos políticos. Um exército de democratas e republicanos saiu às ruas para batalhar voto por voto e a participação nesta eleição foi maior se comparada a de 2012, com filas para principalmente nos estados em que não se podia votar por antecipação. No total, 46 milhões de pessoas votaram antes, pelo correio, até a última segunda-feira (7).

Derrota para os institutos de pesquisa

O resultado das eleições nos Estados Unidos é uma derrota não apenas para a democrata Hillary Clinton, mas também para os institutos de pesquisa. Até terça-feira (8), o jornal ‘New York Times’ afirmava que Hillary tinha 85% de chances de vencer e, ao perceber a ascensão de Trump, mudou a manchete em seu site para “virada impressionante”. Para o site ‘538’, considerado por especialistas como o que reunia informações de maior credibilidade no país, dava 71,4% de certeza da vitória da democrata até o início da noite de terça-feira.

Especialistas comparam o fenômeno Trump à votação do Brexit na Inglaterra, quando a maior parte da população optou pela saída da Inglaterra da União Europeia, e a votação do referendo na Colômbia, quando a maioria foi contrária com o acordo com as Farc, ao contrário do que estava previsto nas pesquisas.

“A análise é que os meios de informação e os institutos de pesquisa tradicionais perderam o contato com os cidadãos, como aconteceu com o Brexit e a votação na Colômbia. E os cidadãos também confiam menos neles e mais em suas redes de comunicação”, afirmou Clemencia Rodriguez, professora de comunicação e mídia na Universidade da Temple University, em Philadelphia. “Esse quadro tende a aumentar a radicalização de ideias contrárias e a dificuldade de diálogo entre os dois lados”.

(Via agência de notícia)

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