A primeira artista ciborgue do mundo pode detectar terremotos com seu braço

Confira!

Muito mudou desde a criação da palavra ciborgue. Cunhada em 1960 pelos cientistas Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline, a abreviação de “organismo cibernético” era, segundo artigo da revista Astronautics, um sistema homem-máquina com sentidos apurados que poderia viver em ambientes inóspitos. Mas o que mais um ciborgue poderia fazer? Haveria expansão dos efeitos sensoriais?

A dançarina e coreógrafa Moon Ribas, uma artista ciborgue catalã que tem um sensor digital implantado em seu braço esquerdo, pode responder essas perguntas com propriedade. percepção: ela é, até onde se sabe, a única pessoa no mundo que pode sentir terremotos em tempo real. É o que ela chama de “sexto sentido”.

Inserido no seu cotovelo esquerdo em 2013, o implante cibernético possui um sismógrafo digital que, ao captar tremores, faz o braço de Ribas vibrar. Dependendo da classificação do terremoto na escala Richter, o implante vibra com mais ou menos força, fazendo com que Mooon sinta o que ela chama de “batimento cardíaco do planeta”.

Moon se tornou ciborgue para elevar a dança contemporânea a um novo patamar. Essa é a premissa de Waiting for Earthquakes, uma performance em que espera que seu implante vibre e guie seus passos de dança. Como seu chip sente terremotos de até um grau na escala Richter, imperceptíveis ao ser humano comum (esses tremores são conhecidos como “microssismos” e costumam ocorrem antes de erupções vulcânicas), ela sente em média um terremoto a cada 10 minutos ( média é de 50 terremotos por dia). Caso não haja nenhum tremor, Moon permanece parada no palco, como um paciente numa sala de espera.

Hoje, três anos após a inserção do chip, a dançarina ciborgue quer implantar um sensor de localização em seu braço esquerdo, o que lhe permitiria sentir a proximidade de cada terremoto. Ela também planeja inserir dois chips vibratórios na sola dos pés. “Depois de um tempo percebi que faria mais sentido sentir terremotos através dos meus pés, já que eles estão em contato com a terra”, disse ela, que mora em Barcelona, pelo telefone. “O protótipo já está pronto, e eu posso usar ele de forma permanente.”

Talvez isso mostre que ter um chip é como fazer uma tattoo: quando você começa, não consegue mais parar. No entanto, a ideia não é se tornar uma máquina ou humano com superpoderes. “Me interesso por ficção científica, mas a natureza já é incrível — alguns animais podem ver raios ultravioleta e infravermelhos, e algumas águas-vivas vivem para sempre. Se aplicarmos isso à nossa realidade, nossa compreensão do planeta também irá mudar.”

Com seus novos chips, Moon poderá sentir a atividade sísmica da lua, também conhecida como lunamotos (o fato de seu nome ser Moon é apenas uma coincidência) sem deixar de sentir os tremores terrenos. “Meu braço irá vibrar em sintonia com a terra e meus pés, com a lua”, explica.

A lua já teve seu próprio sismógrafo lunar. Após seu desligamento em 1977, ele foi substituído por um satélite de coleta de dados. “Tenho que me conectar com o satélite e tentar obter dados em tempo real”, explica Moon. “Meu plano é entrar em contato com a NASA, mas se isso não der certo, vou tentar lançar meu próprio satélite.”

Moon e seu parceiro, Neil Harbisson, um ciborgue que possui antenas digitais que permitem que ele ouça algumas frequências de luz, estão lutando para expandir o movimento da arte ciborgue. Nesse verão, os dois lançaram a Cyborg Nest, uma empresa que vende implantes subcutâneos, o primeiro passo para quem quer se tornar um ciborgue.

Eles também estão selecionando colaboradores para o projeto Cyborg Futures, que visa promover a arte ciborgue, e encorajando outros a se tornarem ciborgues por meio da Cyborg Foundation, uma organização que defende os direitos dos ciborgues. “Temos direito de escolher quais sentidos queremos expandir”, diz ela. “Tenho o direito de alterar meu corpo.”

Apesar das críticas de especialistas em ética médica e grupos religiosos, Moon não pretende parar tão cedo. “Recebemos ameaças falando que somos contra a humanidade”, diz. “Mas vemos essas alterações como algo que aumenta nossa empatia em relação à Terra e à humanidade, algo que gera respeito.”

(Via agência de notícia)

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