27 de Outubro – Dia Nacional de Luta Pró Saúde da População Negra.

Além das doenças hereditárias como a anemia falciforme, doença hereditária mais prevalente no Brasil.

Além das doenças hereditárias como a anemia falciforme, doença hereditária mais prevalente no Brasil. A população negra é acometida por doenças causadas por ações institucionais capazes de produzir vulnerabilidades em indivíduos e grupos sociais oprimidos pelo racismo.

A analise dos dados epidemiológicos mostra que desnutrição, verminoses, tuberculose, dengue, zika, alcoolismo, violência, sofrimento mental, altas taxas de morte infantil são mais incidentes na população negra. Especialmente entre as mulheres, pois vivenciam os efeitos causados pelas opressões de raça, classe e gênero. A exemplo da falta de moradia adequada com acesso a saneamento básico, insalubres postos e jornadas de trabalho ou barreiras no acesso aos serviços públicos.

Levantamento da Secretaria Municipal de Promoção e Igualdade Racial mostra que a população negra está concentrada na periferia de São Paulo. No bairro de Parelheiros, na Zona Sul da capital, o percentual de negros é de 57,1%. Os distritos de Cidade Tiradentes e Guaianases, na Zona Leste, aparecem na terceira e quarta posição do ranking, com 55,4% e 54,6% respectivamente. Na seqüência aparecem Itaim paulista (54%) e Cidade Ademar (52,1%) enquanto em regiões nobres como no distrito de Pinheiros é de apenas 7,3%.

Em pesquisa capitaneada pela Secretaria de Saúde do município de São Paulo, em 2015, comprovou-se que a AIDS é uma das sete principais causas de morte precoce apenas entre os pretos. E as mortes por homicídios têm os homens pretos e pardos como suas maiores vitimas, configurando um verdadeiro genocídio da população negra.

Ainda sob a luz dos dados que informam sobre as causas das internações e levando em consideração o quesito raça\cor, fica bastante nítida a necessidade de maior articulação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde. Na Atenção Básica as ações são voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, tratamento e a reabilitação.

Dentre as diversas políticas do Sistema Único de Saúde a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra é orientada pelo principio de justiça social, porque busca diminuir desigualdades, investindo mais onde a carência é maior. Visa a não discriminação e respeito à diversidade da sociedade brasileira. Têm como enorme desafio promover a igualdade racial na saúde.

Para tanto, e dentre outras iniciativas, governos e movimentos sociais têm a responsabilidade de mobilizar recursos políticos, financeiros e técnicos para sustentar ações de educação, sensibilização e capacitação dos profissionais do SUS, bem como a sociedade em geral. Tudo isso com o objetivo romper um ciclo onde os governos, gestores e trabalhadores da saúde estão responsáveis por reproduzir um sistema de segregação.

Lamentavelmente vivemos um momento de grandes retrocessos no acesso a saúde para a população pobre. O governo Temer, além de reduzir os recursos para a saúde, educação e ações sociais, articula o desmonte do SUS. Propõe vigorosas ações de privatização através do chamado Plano de Saúde Acessível que resultará em cobranças sobre serviços que hoje são gratuitos. A estratégia beneficia as empresas de planos de saúde negando acesso a serviços como oncologia, cardiologia, hemodiálise para quem não pode pagar.

Em 2006 o dia 27 de outubro foi escolhido como dia Nacional de Luta Pró Saúde da População Negra. Para marcar a data propomos uma campanha informativa sobre o tema nas periferias das cidades, onde se concentra a população negra e pobre. As intervenções consistem em mapear e dialogar com associações de moradores, coletivos, terreiros de candomblé, igrejas, fóruns de saúde. Realizar vivencia com as agentes comunitárias de saúde, panfletagem que atinja a população em geral. Pretendemos laçar mão de inúmeros recursos pedagógicos para levar informações sobre a PNSIPN para diversos públicos da preferia. Afinal não é possível lutar por direitos que a população não conhece. Conhece apenas as agruras da falta de direitos.

Leila Rocha – Enfermeira (UCSal) , pós graduada em Gestão de Políticas Públicas com recorte em gênero e raça (UFBA), militante do Coletivo de Oyá – Mulheres Negras da Periferia SP.

(Via agência de notícia)

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